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Urologia

Dr. Elton Cardoso Sanchotene
Médico Urologista
ULBRA SAÚDE


PERFIL - FORMAÇÃO

- Qual a sua formação?
Sou formado em medicina na Pontifícia Universidade Católica - PUC de 80 a 86. Depois, fiz mais dois anos como cirurgião geral. Então fui selecionado para ocupar a vaga de estrangeiro em uma fundação, em Barcelona, na Espanha de 90 a 94 fazendo residência em pós-graduação em urologia. Também recebei uma bolsa da Confederação Americana de Urologia, passei três meses realizando estudos na área da uroginecologia na UCLA, em Los Angeles. Atualmente, participo do Fórum de Oncologia e da Jornada de Oncologia da Escola Paulista de Medicina. Também procuro comparecer, anualmente, ao Congresso Americano de Urologia e ao Congresso Brasileiro.

- Qual o tempo de ULBRA SAÚDE? Tem outros locais de atuação?
Estou na ULBRA SAÚDE desde o início, em 1997. Eu estive aqui visitando as instalações com o Doutor Luciano Melo, que era um dos diretores e acabei ficando.Tenho um consultório em São Leopoldo e, também, no Centro Clínico Mãe de Deus. Trabalho no Hospital Luterano, além de ser o Chefe de Serviços de Urologia no Hospital Universitário.

- Porque escolheu esta especialidade?
Por ser uma especialidade clínica cirúrgica. Você não depende de alguém mandar o paciente procurar um médico urologista. Ele mesmo procura diretamente um bom urologista. Na urologia eu posso fazer microcirurgia, cirurgia endoscópica, cirurgia minimamente massiva e de grande porte. É uma especialidade extremamente completa.

- Quais as suas descobertas na área?
Nós temos atuado bastante, de forma pioneira, na base da uroginecologia. Tenho grande experiência em telas para coleção de sling, para correção de incontinência urinária feminina. E isso, até um tempo atrás, exigia uma cirurgia transabdominal. Hoje uma cirurgia dessas dura 15 minutos, o paciente fica de duas a três horas no hospital e vai para casa. O homem também tem este problema. Nós já temos uma boa experiência com Argos, que são os slings masculino. Todos os pacientes que nós tivemos até hoje resolveram os problemas através dessa telinha que usamos na mulher e que foi adaptada para o homem.

- Qual sua função, como médico urologista, perante a sociedade?
Na população masculina o câncer de próstata é o mais comum. E nós, como urologistas, temos a função de prevenir, controlar e tratar a população masculina. É uma tarefa difícil por causa do exame preventivo, mas, as coisas estão mudando. O homem deve fazer o exame a partir dos 45 anos, ou 40 anos se tiver histórico familiar. É realizado um exame de sangue e um de toque que dura dois segundos. A mulher começa muito cedo, a posição ginecológica é muito mais constrangedora, e ela nunca reclama disso. O homem vai se adaptar, certamente.

- Como é o dia-a-dia de um urologista?
Bastante cansativo. Eu trabalho em média 13 horas por dia. Realizo cirurgias, muitas vezes, no fim de semana. Como coordenador, tenho que estar sempre atento aos problemas das outras unidades. Além disso, tem o trabalho como Chefe de Serviços de Urologia no Hospital Universitário. Também estou criando com o Dr. Timothy John Wilson, que é proctologista, e a Dra. Keila Moreira, que é fisioterapeuta, o primeiro serviço de cirurgia vascular na região sul do Brasil. Nós vamos abrigar a neurologia, a cirurgia urológica, proctológica, pediátrica e a fisioterapia em um serviço especializado em determinadas patologias. Este projeto já foi apresentado ao reitor Rubem Becker.

- Quais os medos e realizações durante a profissão?
Com o tempo, infelizmente, a gente vai perdendo o medo. Eu tenho que me controlar sempre, porque já passei por diversas situações de stress, de complicações cirúrgicas que só o cirurgião tem. A minha apreensão seria de tornar o meu serviço uma referência a nível nacional. Para isso, estou trabalhando com pesquisas em animais, na faculdade em Canoas. E estou terminando o doutorado em cirurgia na PUC, com o Dr. Fernando. Tudo isso promove um crescimento científico.

- Equipe é importante, fundamental? Fale um pouco da sua.
Existe uma demanda muito grande de atendimento na ULBRA SAÚDE. Para isso contamos com diversas unidades. A minha equipe é formada por oito urologistas e eu como coordenador. Nós seguimos protocolos específicos, mas a decisão final sempre passa por mim. Temos uma reunião semanal, onde se discutem trabalhos científicos, protocolos, pacientes que nós vamos operar. É um vínculo direto com a Faculdade de Medicina, o que permite uma para integração da faculdade com o serviço de urologia.

- Cite um tratamento realizado com sucesso.
Recentemente, eu operei uma senhora que teve o útero extraído e ficou com forte incontinência urinária. Há um ano, estava usando fraldas e com depressão profunda, até que operamos. Hoje o problema está resolvido. Ela está melhor da depressão, isso nos gratifica.

ULBRA SAÚDE

- Como o Doutor retrata a ULBRA SAÚDE em relação à tecnologia e os profissionais na sua área de atuação?
A ULBRA SAÚDE tem profissionais do mais alto gabarito em todas as especialidades. Um paciente do Plano tem condições de ser muito bem atendido. Os nossos hospitais dispõem de toda a tecnologia da nossa área. E em outras especialidades também. Com isso temos a possibilidade de fazer qualquer tipo de intervenção no tratamento. A ULBRA SAÚDE não deve absolutamente nada, tanto é que outros convênios sentem essa competência.

- Qual a freqüência de consultas realizadas na ULBRA SAÚDE e os principais problemas?
São mais de 500 pacientes que temos em nossas unidades. O principal problema varia conforme o paciente e a faixa etária. No homem é mais freqüente o câncer de próstata, em termos de patologia oncológica. Mas, também há infecção urinária e no homem acima de 50 anos a patologia mais presente é a hipertrofia benigna de próstata. Já em mulheres, o grande problema é a infecção urinária ou a incontinência. Tem a parte oncológica, que é mínima, como tumor renal, tumor na bexiga. Temos problemas variados além dos exames de rotina que fazem parte do dia-a-dia, com pacientes acima de 40 anos que vem fazer o exame anual.

- Estamos há 11 anos fazendo melhorias e crescendo com qualidade, atendemos inúmeras pessoas. Pelo tempo que tens de ULBRA SAÚDE, se fosse um paciente, o doutor recomendaria o Plano?
Não só recomendo, como meus familiares têm ULBRA SAÚDE. É um convênio completo.

- Que conselhos o doutor daria para estudantes que gostariam de atuar em sua área?
Recentemente nós tivemos uma aluna que esteve dois meses das suas férias acompanhando o nosso trabalho, nas consultas, nas cirurgias, no pós-tratamento dos pacientes. Não só dou conselhos, mas também promovo estágios. A gente sempre recomenda que eles decidam a sua especialidade no final da faculdade, depois de ter passado por todas as áreas.

ESPECIALIDADE

- Qual a definição de urologia? Que tipos de problemas e doenças o Doutor trata?
Urologista trata todas as patologias cirúrgicas e algumas clínicas do aparelho genitourinário, masculino e feminino. Todas as patologias renais como cálculos, obstruções, patologias na bexiga como tumores, cálculos, infecção urinária, uretra masculina. Na mulher, a gente trata ainda a bexiga caída e a incontinência urinária. Atendemos mulheres e homens de todas as faixas etárias.

- Quais as doenças mais perigosas?
As oncológicas, com certeza. Hoje nós temos o câncer de próstata, o câncer de bexiga, o câncer renal, o câncer a nível de testículo que afeta o adulto-jovem. Então tudo isso exige um tratamento mais precoce possível para dar uma melhor vida para esse paciente também.

- Qual é a incidência de doenças como o câncer?
O câncer renal representa 3% de todas as neoplasias. O câncer de próstata já é o câncer mais comum no homem, e o segundo que mais mata.

- Os homens procuram bastante o urologista, ou ainda há um certo preconceito?
Cada vez mais, por ter um conhecido ou um parente que teve algum problema. Isso assusta e os pacientes nos procuram. A família tem um papel muito importante nessa orientação. E a própria conscientização através da mídia ou casos com pessoas famosas.

- Hoje em dia as pessoas têm se preocupado, buscado mais informações referente a sua sexualidade?
Certamente. No Brasil, assim como na maioria dos países, a antrologia que é uma sub-especialidade que trata da sexualidade, faz parte da urologia. Então nós tratamos desta parte. Sabe-se que mais de 50% dos homens acima de 50 anos tem algum tipo de disfunção sexual, seja erétil ou na ejaculação. E com o incentivo da mídia, os pacientes estão vindo realmente. Muitas vezes a disfunção erétil se dá devido à hipertensão, que o paciente não sabe que tem.

- A que o Senhor atribui a falta de informação e educação sobre sexo?
Até um tempo atrás esse problema estava na mídia, que não falava na ejaculação precoce, na disfunção erétil por que era tido como tabu. Hoje em dia, a sexualidade está em qualquer diálogo como qualquer outro assunto.

- As pessoas andam mais despreocupadas com a Aids devido a coquetéis de remédios que prolongam a vida das pessoas que possuem o vírus. De uma certa forma, isso preocupa a classe médica? Ou as pessoas podem ficar despreocupadas, pois esses coquetéis são a salvação? Isso pode significar que estamos perto da cura?
Não, realmente as medicações estão melhores. Mas claro que preocupa, porque não é só o HIV, tem a hepatite C e outras doenças. Então a gente se preocupa, até porque o índice de contaminação em casais heterossexuais está cada vez maior.

- As crianças de hoje em dia são mais informadas e orientadas do que na década passada?
Com certeza. O aprendizado começa já na escola para iniciar a orientação sexual e eu acho importante, porque a criança não deve aprender o que fazer e como se prevenir com o amiguinho na escola, é melhor aprender em casa ou com o professor.

- Os jovens têm se preocupado cada vez mais com sua vida sexual?
Infelizmente não. Eles não procuram saber sistemas de prevenção, de cuidados. Na maioria das vezes, eles nos procuram por que tiveram uma relação de risco e estão preocupados se estão doentes ou não.

- Quais as principais descobertas e inovações na sua área nos últimos anos?
O que nós estamos desenvolvendo são as vacinas. Com ela o agente vai estimular o organismo a combater só as células contaminadas. E a cultura de tecidos, hoje nós estamos cada vez mais avançados na reposição de tecidos, como a neobexiga que aproveita o próprio tecido. As células-tronco também vão trazer ajuda em diversas áreas. A cirurgia está cada vez menos evasiva com a tecnologia. Cada vez mais os congressos, principalmente o Congresso Americano, nos mostram câmeras cada vez menores e incisões menores.

- Qual a sua expectativa para o futuro na urologia no Brasil?
A nossa área não perde em nada. O que acontece é que para algumas patologias raras, nós não temos centros de referência. Por exemplo, um tumor no canto do olho esquerdo. Nos Estados Unidos tem um lugar que trata só isso. Esse profissional vai operar muito melhor do que o que opera um tumor ao ano, ou a cada dois anos. Então, algumas patologias muito específicas aqui no Brasil ainda poderiam ser mais bem tratadas num centro desses. Mas, a maioria das patologias tem as mesmas condições de tratamento e os mesmos níveis de cura e de sobrevida do que um centro americano.

- No carnaval as campanhas para conscientização da população, referente a AIDS e outras DST's são mais intensificadas, mas durante o resto do ano diminui consideravelmente as informações e inclusive referente à outros problemas igualmente importantes, frente a essa constatação o doutor acha há informações suficientes na mídia sobre saúde pública e maneiras de prevenção?
Essas campanhas, geralmente, são governamentais. Então o problema não está na mídia. Ela é contratada para transmitir uma campanha idealizada pelo governo. O que eu acho é que existe pouca verba destinada para a saúde. Por exemplo, a Secretaria da Saúde do RS tem uma verba específica que não comporta contratar uma empresa para fazer uma campanha anual de prevenção de câncer de próstata. Então ela faz uma campanha temporal. Como se sabe, existe um alto índice de relações de risco no carnaval. Então os órgãos públicos aproveitam e fazem essa prevenção. Eu acho que quando tiver mais dinheiro disponível para a saúde, nós teremos mais campanhas publicitárias de prevenção. Isso seria o ideal.

- Nos países de primeiro mundo há uma conscientização maior que no Brasil, ou esse problema melhoraria realmente se houvesse maior investimento na área da saúde, é possível fazer essa comparação?
É necessário investir na educação, na saúde. Esse é um investimento básico, ter um povo bem educado, com acesso à saúde. Assim a população produz mais, fica menos doente e consciente que deve fazer prevenção de várias doenças. Na minha opinião, nós estamos muito hesitantes. Nós temos uma população grande e carente que não tem acesso à água potável, a saneamento básico, à educação.



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