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Alterações climáticas e suas conseqüências na saúde humana
O Dia Internacional da Saúde deste ano de 2008, que transcorre no próximo dia 7 de abril, remete ao tema das alterações climáticas e suas conseqüências na saúde humana. Importante lembrar que alterações climáticas podem ser fenômenos naturais e, portanto, independentes da ação humana e aqueles produzidos ou provocados pelo homem. A partir do final do século XIX, e mais intensamente na segunda metade do século XX, o progresso (que ironia) decorrente da industrialização pesada do uso de combustíveis fosseis (carvão, petróleo) agricultura e pecuária intensivas e desmatamento acelerado provocaram um progressivo aumento da produção de gases, especialmente CO2 (dióxido de carbono), CH4(metano) e fluorocarbonos atualmente despejados na atmosfera terrestre na ordem de dezenas de bilhões de toneladas/ano. Estes gases, reduzindo a camada de ozônio e provocando a reflexão dos raios infravermelhos que seriam emitidos para o espaço, intensificam o efeito estufa. O aumento da temperatura média de nossa atmosfera de apenas um grau centígrado é capaz de produzir modificações climáticas acentuadas, com o degelo dos glaciares, aumento do nível dos oceanos, mudanças nos padrões de ventos, precipitações pluviométricas e acentuação de outros fenômenos naturais como tempestades e furacões.
Como conseqüência de tudo isso as alterações do meio ambiente culminarão em temperaturas globais mais altas, invernos mais quentes e verões mais secos que afetarão principalmente as populações mais vulneráveis a doenças associadas à pobreza e desnutrição.Temperaturas elevadas e enchentes se encarregarão de provocar e espalhar doenças transmitidas pela água (cólera, tifo, disenterias, hepatite A) ou por mosquitos (malária, febre amarela, dengue). Por outro lado locais de seca e escassez de água contribuirão para disseminar doenças causadas pela água de má qualidade e condições de pobre saneamento básico. Associado a tudo isso, o aumento de poluentes atmosféricos decorrentes de queimadas de florestas e os gases industriais e aqueles gerados pelo uso de combustíveis fosseis utilizados pela frota automotiva, provocarão aumento das doenças respiratórias (asma, bronquite, pneumonia) e agravamento das doenças cardíacas.
Os números são estimados, as causas e efeitos são conhecidos e previsíveis.Inúmeros tratados e protocolos a exemplo do de Kyoto, já foram firmados, mas as conseqüências práticas dos mesmos são ainda pequenas.Cada um de nós e a sociedade como um todo tem uma imensa dificuldade de mudar seus hábitos e pode parecer-nos difícil entender que pequenas modificações em nossas atitudes pessoais possam contribuir para modificar esta assustadora ameaça para a nossa e as futuras gerações. Reduzir o nosso consumo de energia elétrica utilizando mais a luz natural no ambiente de trabalho, evitar ou limitar o uso de copos e outros utensílios descartáveis, desestimular o uso de transporte individual em favor do coletivo e utilizando mais nossas próprias pernas podem ajudar a minimizar esta sombria perspectiva para o nosso planeta e reduzir os danos à nossa própria saúde.
Dr. Julio Boehl
Diretor Médico do Plano ULBRA SAÚDE
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