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Oncologia

Dr. Moacir Andrade
Médico Oncologista
ULBRA SAÚDE


PERFIL - FORMAÇÃO

- Qual a sua formação?
Sou formado pela Universidade de Passo Fundo - UPF, há 30 anos e desde então atuo no Hospital Santa Rita. Viajo muito a congressos e cursos de especialização. Normalmente faço uma ou duas viagens para o exterior, as mais comuns são para os EUA, onde há o Congresso Americano da Cancerologia, que reúne entre 25 e 30 mil médicos. Congressos brasileiros de oncologia clínica, normalmente são realizados um a cada dois anos.

- Quanto tempo de ULBRA SAÚDE? Tem outro local de atuação?
Trabalho na ULBRA SAÚDE há cinco anos. E atuo também no Santa Rita, no Hospital ULBRA Luterano, no Hospital Fêmina, na auditoria da Unimed, além de meu consultório particular.

- Porque escolheu a medicina?
Gosto muito da medicina, desde os tempos de colégio já havia divisão entre o pessoal da engenharia e da medicina, e desde essa época já havia me decidido.

- Qual sua função, como médico, perante a sociedade?
Às vezes somos vistos de forma diferente ou mal interpretados. A minha função, perante a sociedade, é ser amigo do paciente que estou tratando.

- Como é o dia-a-dia de um oncologista?
É muito agitado. Já tive momentos calmos e também muito corridos, pois vamos assumindo compromissos e responsabilidades, ao longo da carreira, que não ocorrem no início da profissão. Na medida em que o tempo passa, vai se adquirindo mais experiência e as oportunidades de trabalho aparecem com mais freqüência.

- Quais seus medos e realizações durante a profissão?
Existiam muitos medos no início da profissão, pois é uma especialidade desgastante e o grau de frustração é muito grande, diferentemente da pediatria ou da ginecologia, que existem momentos lindos, como um parto. Mesmo assim, existe felicidade. Um bom exemplo é uma paciente com câncer de mama bilateral que atendi bem no início de minha carreira, ela está muito bem e até hoje nos falamos.

- Equipe é importante, fundamental? Fale um pouco da sua.
É fundamental trabalhar com um grupo que pense junto, e aqui na ULBRA SAÚDE, a equipe de oncologistas tem a mesma visão.

- Cite um tratamento e uma emergência com e sem sucesso.
Um tumor de próstata, onde o paciente não queria ser tratado. Foi um momento sofrido, mas obtivemos sucesso. Esses momentos difíceis com sucesso me revigoram para um novo caso. Já um sem sucesso foi um paciente jovem, 27 anos, teve um câncer na bexiga que avançou para o osso, não conseguimos terminar o tratamento. Mas o pior momento, foi uma criança de 4 anos que teve tumor cerebral chegando a morte, foi então que tomei a decisão de não tratar mais a pediatria.

- Como o Doutor vê o Brasil na área de oncologia e o que deveria melhorar?
Não perdemos em nada para o exterior, somente em termos de tecnologia, pois temos que importar muitos equipamentos, porém temos todas as medicações aqui. As novidades lançadas fora dos congressos, são lançadas também aqui no Brasil, existe muita pesquisa. Participo, na Santa Casa, de pesquisas, pois existem medicações que ainda não foram lançadas no mercado, mas que estão sendo testadas mundialmente, na PUC e no Hospital Conceição. Porto Alegre é um lugar de ponta na oncologia, o que nos abre inúmeras portas para pesquisas.

ULBRA SAÚDE

- Como o Doutor retrata a ULBRA SAÚDE em relação à tecnologia e profissionais na sua área de atuação?
A ULBRA SAÚDE adquiriu uma série de equipamentos. Estamos muito bem, temos aparelhos importantes, além disso a ULBRA libera muita medicação diferente de outros hospitais.

- Qual a importância de um ambulatório específico como o que a ULBRA proporciona para seus médicos?
É importante ter um ambulatório específico, pois quando temos cirurgias que necessitam desse tipo de atendimento, o tratamento torna-se muito melhor.

- Qual a freqüência de consultas realizadas por sua equipe da ULBRA SAÚDE?
Por semana tenho atendido 25 pacientes, isso significa 100 pacientes por mês.

- Qual o diferencial da ULBRA SAÚDE em comparação a outros hospitais ou planos?
A liberação de medicação e a marcação de consultas, isso é muito bom.

- Estamos há 11 anos fazendo melhorias e crescendo com qualidade, atendemos inúmeras pessoas. Pelo tempo que tens de ULBRA SAÚDE, se fosse um paciente, o Doutor recomendaria o Plano?
Temos excelentes médicos, cada setor possui profissionais muito bem preparados. Vale lembrar que os professores da universidade também são médicos da ULBRA, são detalhes importantes, além da tecnologia e o ambiente físico que temos.

- Que conselhos o Doutor daria para estudantes que gostariam de atuar em sua área?
Primeiramente gostar muito do que faz.

ESPECIALIDADE

- O que é oncologia?
É a ciência que trata dos tumores, antigamente era conhecida como cancerologia. Onco significa câncer, tumores.

- Qual é o dever de um médico oncologista?
Amenizar um sofrimento, pois no momento em que se tem um diagnóstico de câncer, significa "eu vou morrer". Não existe câncer benigno, ou é câncer ou é tumor benigno. Às vezes as pessoas dizem "eu tenho uma doença ruim", então eu falo "no momento em que houver doença boa à gente conversa". Existem certos casos como o da paciente que tirou as mamas e está viva até hoje. O psicológico das pessoas também influencia muito. Existe um estudo japonês mostrando que se o paciente está de bem com a vida, o tratamento funciona muito melhor.

- Como está incidência do câncer?
No RS o câncer de mama é ainda o de maior destaque, mas há uma incidência muito alta, também, de câncer de próstata, de pulmão e de intestino. Temos, na maioria, descendência européia e cultura forte, o que nos leva a esses tipos de câncer.

- É possível esperar por uma redução na mortalidade?
Sim. É o que se busca e o que se quer. Tumores de testículos, há um tempo atrás, causavam muitas mortes, mas hoje já são 100% curáveis.

- As pessoas andam preocupando-se demais com a aparência física, muitas vezes em detrimento da saúde. Como o Doutor define essa inversão de prioridade?
A parte estética é muito bonita, no verão, por exemplo, ver as pessoas todas bronzeadas. Mas, atualmente isso caracteriza um fator de risco muito grande, pois o câncer de pele está aumentando assustadoramente. Já para a reabilitação de câncer de mama, a colocação de silicone seria uma opção importante para muitas mulheres.

- Nos países de primeiro mundo há uma conscientização maior do que no Brasil, ou esse problema melhoraria realmente se houvesse maior investimento na área da saúde? É possível fazer essa comparação?
As duas coisas são fundamentais. A educação é de suma importância, mas deve haver recursos para investimentos.

- Há a possibilidade de descoberta de uma cura rápida e menos dolorosa?
Há sim essa possibilidade, pois participamos seguidamente de pesquisas de novas drogas, umas com muito sucesso, outras, com abandono, pois não há a resposta que queremos. Existem boas medicações, porém caras, difíceis de colocar no mercado.

- Por exemplo, no Carnaval as campanhas para conscientização da população referente a AIDS e outras DST's, são mais intensificadas, mas durante o resto do ano diminui consideravelmente o número de informações. Diante desta constatação o Doutor acha que há informações suficientes na mídia sobre esses e outros problemas?
Mudou muito de um tempo pra cá, a publicidade, a propaganda, os informes. Há uma campanha muito grande, também sobre acidentes no trânsito, o que é muito importante. A valorização da propaganda em prol da saúde é grande.

- Após o tratamento como o Senhor avalia a reação das pessoas que tiveram câncer?
Depende da experiência de cada um, do tipo de câncer, do estágio da doença. Alguns ficam abalados, outros não. Depende de como vão encarar a doença, isso é muito particular.

- Como o doutor avalia a doença hoje, em comparação há 10 anos atrás?
Mudou bastante. As informações, os métodos, os diagnósticos, enfim muitas coisas avançaram.

- As mulheres têm uma preocupação maior, em relação à saúde, do que os homens?
Quando se fala em campanha de prevenção de câncer, logo o que se imagina é o câncer de colo de útero, o câncer de mama, enfim, a mulher está mais protegida do que o homem nesse sentido, ela é mais suscetível a este tipo de chamamento. Já os homens não levam muito em conta, não escutam, acham que é só para as mulheres, ainda há um certo preconceito. A mulher nestes casos tem a mente mais aberta, talvez pelo fato de ser mãe.



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