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Idosos no Brasil e as conseqüências do envelhecimento
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no censo populacional de 2000, indicam que existem cerca de 16 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos. Esse número é correspondente a 9% da população do País.
Os brasileiros vivem atualmente em média 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 90, e estima-se que em 2020, a população com mais de 60 anos chegue a 30 milhões de pessoas. Em 2050 deveremos ser 260 milhões de pessoas e nossa expectativa de vida ao nascer será de 81,3 anos, a mesma dos japoneses hoje, sendo que o número de pessoas com 80 anos ou mais alcançará 13,7 milhões.
Esses dados são extremamente significativos para demonstrar como os avanços na área da saúde e a redução da natalidade contribuíram para isto, mas lançam um enorme desafio para a sociedade e os governantes, em especial para aqueles que atuam e planejam nas áreas da saúde e previdência social: como enfrentar o envelhecimento da nossa população garantindo-lhe condições de saúde adequadas, políticas sociais de inclusão e assistência aos idosos pobres ou desamparados pela estrutura familiar?
Do ponto de vista das conseqüências do envelhecimento, o aumento na incidência das moléstias crônico-degenerativas (hipertensão arterial, cardiopatia isquêmica, diabetes melito, doenças cérebro-vasculares e cânceres), as demências - entre elas a doença de Alzheimer - e as seqüelas de acidentes (quedas domésticas, atropelamentos, etc) deverão significar um custo financeiro e social ainda pouco dimensionado pela sociedade competitiva e excludente em que vivemos.
Na área da saúde é preciso pensar e trabalhar cada vez mais com políticas de PREVENÇÃO com o objetivo de retardar o envelhecimento e as suas conseqüências. O incentivo obstinado em orientar precocemente a população de qualquer idade com respeito a hábitos saudáveis de vida como não fumar, evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, dietas pobres em gorduras de origem animal e prática regular de atividades físicas, é responsabilidade de todo e qualquer cidadão, mas dever primeiro dos profissionais, administradores e gestores do setor público e privado de saúde.
Por fim, cabe ressaltar aos médicos que a medicina preventiva na idade adulta envolve também a atitude de pensar nas doenças, do corpo e da mente, prevalentes nesta faixa etária e nos meios diagnósticos existentes para a detecção precoce das mesmas, incentivando e encorajando seus pacientes à realização de exames preventivos como avaliações cardiológicas (hipertensão arterial e cardiopatia isquêmica), urológicas (câncer de próstata), ginecológicas (câncer de mama e útero), gastro-intestinal (câncer de cólon), entre outros. O uso judicioso destas técnicas diagnósticas, ao contrário do que possa parecer, reduz custos aos financiadores dos setores de saúde e contribuem significativamente para um envelhecer mais saudável e feliz.
*Dr. Julio Bohel - Diretor Médico do Plano ULBRA SAÚDE
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